terça-feira, 31 de julho de 2012

Leite com elevado teor de cálcio evita sobrepeso e obesidade

A obesidade está associada a doenças crônicas, incluindo a doença cardiovascular, hipertensão, e diabetes. Baixa ingestão de cálcio tem sido identificada como um fator de risco de sobrepeso e obesidade.
O objetivo do estudo: Avaliar o efeito da ingestão de leite fortificado com cálcio, com baixo teor de gordura, com adição de vitamina D em comparação com um placebo (bebida de baixa quantidade cálcio)

A metodologia: Foram avaliadas mulheres menopausadas há pelo menos 5 anos. Sessenta mulheres foram qualificadas para participar do estudo. As mulheres foram divididas aleatoriamente em dois grupos, um grupo recebeu 400 ml de leite com elevado teor de cálcio durante 16 semanas, enquanto o outro recebeu a bebida placebo. Os índices antropométricos foram medidos no início e no final do estudo.
Os principais resultados: Houve aumento significativo no peso, no índice de massa corporal (IMC) e nas  circunferências cintura e quadril  nos indivíduos que receberam a bebida placebo.
As conclusões:  O aumento da ingestão de cálcio pode ser uma medida útil, como parte de uma abordagem global, para prevenir a ocorrência de sobrepeso e obesidade entre as mulheres após a menopausa.

(Food Nutr Bull. 2010 Sep;31(3):381-90)

segunda-feira, 30 de julho de 2012

Densidade energética na perda de peso

Artigo publicado pelo American Journal of Clinical Nutrition realizou uma revisão sistemática da literatura e mostrou que a principal estratégia para redução da ingestão alimentar era a redução da densidade energética (calorias por grama). 
Alimentos de baixa densidade energética são: frutas, vegetais e sopas.
Esses alimentos mantem a saciedade reduzindo o consumo de comida.

Outro estudo, realizado pelo mesmo grupo de pesquisadores, avaliou 97 mulheres durante1 ano de acompanhamento. O dieta do grupo controle tinha redução de gordura; e o grupo intervenção além da redução da gordura tinha também aumento do consumo de alimentos ricos em água (frutas e vegetais).
No primeiro ano, ambos os grupos perderam peso, porém, o com alimentos ricos em água perdeu mais peso, além de ter relatado menos fome.
Estudo evidenciou que a estratégia de incluir nas orientações o consumo de frutas/ verduras foi eficaz levando a maior perda de peso e maior saciedade.

(Ello-Martin Am J Clin Nutr. 2005;82(1Suppl):236S-241S)
(Ello-Martin, Am J Clin Nutr. 2007 Jun;85(6):1465-77)

Qual deve ser o foco do tratamento da obesidade?

Foco do tratamento da obesidade no peso corporal é pouco efetivo em produzir magreza ou corpos mais saudáveis, além de ter várias conseqüências indesejadas como:
– Preocupação excessiva com a comida e o corpo;
– Ciclos de perda e reganho de peso;
– Distração em relação a outros problemas de saúde;
– Reduz a auto-estima;
– Pode causar transtornos alimentares;
– Discriminação em função da imagem corporal.
O foco do tratamento do obeso deve ir além da perda de peso pois, baseado em evidencias, este tipo de tratamento além de ineficaz pode ser prejudicial para o paciente.

(Bacon and Aphramor; Nutrition Journal 2011)

Acompanhamento nutricional após perda de peso

Artigo publicado no New England Journal of Medicine acompanhou 50 pacientes obesos durante 10 semanas com dieta para perda de peso e os avaliou após 1 ano.
Houve perda de peso nas primeiras 10 semanas e ocorreram a mudanças hormonais como aumento de grelina (hormônio que aumenta o apetite) e redução da leptina. 
Essas mudanças persistiram após 1 ano do acompanhamento.
Através deste trabalho, fica evidente que um ano após a redução de peso inicial, os níveis dos mediadores circulantes de apetite, que levam a recuperação do peso após dieta para perda de peso, não voltaram aos níveis registrados antes da perda de peso.
Por tanto, as estratégias de longo prazo são necessárias para prevenir a recidiva do reganho de peso e da obesidade
(N Engl J Med. 2011, 27;365(17):1597-604)

sexta-feira, 27 de julho de 2012

As propriedades dos fungos!

O seu consumo pode ajudar na redução do colesterol e a prevenir o envelhecimento

 Os fungos são responsáveis pelo processamento de um número considerável de itens de nossa alimentação. Pães e bebidas alcoólicas como cerveja, vinho e espumantes são fermentados através de leveduras, que são espécies de fungos. Além da produção desses alimentos, alguns fungos por si só, como o shitake e o shimej, são muito ricos em proteínas e fonte de grande quantidade de vitamina B e zinco. A vitamina B é fundamental para o crescimento de unhas e cabelos e o zinco muito importante para o desenvolvimento do corpo humano e por isso, muito indicado na alimentação de crianças.

A Professora Adjunta de Nutrição Clínica da Universidade Estadual do Rio de Janeiro, Annie Bello, conta que, atualmente, o fator que mais chama a atenção dos pesquisadores nas propriedades alimentícias dos fungos é um componente chamado beta glucana. “Ela é uma fibra alimentar considerada anticancerígena, antiviral e anti-oxidante. Essa característica faz com que o consumo desses tipos de fungo ajude na prevenção contra o envelhecimento e na redução de colesterol”.
Além de serem ricos em proteínas, vitaminas e minerais e não serem fontes de gordura, o shitake e o shimej, por exemplo, costumam ser saborosos e têm um preparo prático.
Os fungos combinam com tudo. É saboroso e contém baixissima caloria (35kcal) , quase 0g de gordura e tem 3 vezes mais ácido fólico do que a mulher precisa (1100mcg/100g)! Podem ser misturados em refeições simples como o arroz, macarrão e omelete.

O cogumelo paris, mais conhecido como champignon, possui menos nutrientes que o shitake e o shimej. Como costumam ser comercializados em conserva, têm uma grande quantidade de sal, por isso não são os mais indicados para o consumo. O ideal é consumir o funghi seco ou in natura.
Os fungos têm propriedades tão opostas que, ao mesmo tempo em que são fundamentais para a produção de determinados alimentos e servem como produto alimentar, também são prejudiciais. O bolor, por exemplo, é uma colônia de fungos que estão se proliferando, e quando ele aparece no alimento caracteriza uma contaminação. Isso pode ser notado quando esquecemos pão fora da geladeira e enxergamos nele uma cor estranha. Essa contaminação pode ser só fúngica, ou com bactérias, o que significa o alimento está impróprio para o consumo.
A sua função na fermentação de bebidas alcoólicas e queijos é fundamental para a existência desses alimentos. Nesse caso, eles receberam a levedura (uma espécie de fungos) em quantidades adequadas. No caso do pão com bolor, a fermentação passou o tempo de sua chamada vida útil ou de prateleira.
(Matéria Globo Ecologia, 2011)

quinta-feira, 26 de julho de 2012

Fisiologia do gosto

Sugestão de leitura
Fisiologia do Gosto escrito por um juiz apaixonado pelos prazeres da mesa - Brillar – Savarin (1755-1826)
O prazer da mesa pertence a todas as épocas, todas as condições, todos os países, todos os dias;
A mesa é o único lugar onde jamais nos entediamos na primeira hora;
A descoberta de um novo manjar causa mais felicidade ao humano que a descoberta de uma estrela;
Os que se empanturram e se embriagam não sabem comer e nem beber”

quarta-feira, 25 de julho de 2012

SUPLEMENTOS ANTIOXIDANTES PARA CARDIOPATAS

Suplementação Nutricional em Cardiologia foi tema central da VIII Jornada de Nutrição Clínica da UFRJ 2012.  Participei da mesa redonda discutindo o controverso tópico: Suplementos Antioxidantes em Cardiologia. Segue um resumo da conferência:

Antioxidantes são substâncias que neutralizam os radicais livres (RL) reduzindo-os pela adição de um elétron do íon hidrogênio. O RL apresenta funções fisiológicas e também patológicas podendo gerar aterosclerose (hipótese oxidativa). Nosso organismo tem antioxidantes enzimáticos (GPX, CAT, SOD) e não enzimáticos (nutrientes – vitamina E, C, A, beta caroteno, selênio) que agem em sinergismo. A quantidade de antioxidantes que deveremos ingerir é determinada pelas DRIs. Alguns estudos avaliam o uso desses nutrientes sob a forma de suplementos e outros na forma de alimento.
Estudos observacionais com vitamina E mostram que os mesmos tem redução do risco de DAC, porém ensaios clínicos não acham tais resultados, além de evidenciar maior risco de AVE.
O primeiro importante Trial com a vitamina C, nutriente que atua como antioxidante na fase aquosa, não mostrou melhora dos desfechos CV. Já em relação ao b caroteno, os estudos observacionais são muito claros em relação a maior concentração sérica na redução de DCV, mas em meta-análise recente com suplementação não mostra efeito benéfico.
Selênio, mineral essencial para a síntese da glutationa peroxidase, ao ser suplementado sob a forma de alimento (castanha do Brasil) apresentou um efeito antioxidante superior quando comparado as pastilha de selênio. Por fim muitos trabalhos estão em andamento para avaliar o efeito antioxidante do resveratrol, polifenol encontrado principalmente na uva e no vinho tinto, mostrou que houve melhora na resposta vascular.
E os multivitaminicos, que são mais frequentemente consumidos, também falharam em mostrar melhora na qualidade de vida e nos desfechos DCV. Alguns pesquisadores levantam a hipótese do paradoxo dos antioxidantes que o efeito protetor da dieta não é equivalente ao efeito protetor dos antioxidantes da dieta, como por exemplo, dietas ricas em b caroteno protegem, mas não é o b caroteno o agente protetor.
Pesquisadores ressaltam que os alimentos tem muitos nutrientes – distinguir o efeito dos vários nutrientes é complicado. Importante ainda considerar que os indivíduos ingerem alguma quantidade de antioxidantes – o efeito da suplementação depende da quantidade habitualmente consumida. Sendo assim, ideal avaliar os níveis dos nutrientes pré-tratamento com suplementos.
American College of Cardiology and American Heart Association (AHA) defende que “não há base para recomendar aos pacientes a ingestão de suplementos de vit C e E ou outros antioxidantes para o propósito de prevenir ou tratar DAC”. Comitê de Nutrição do AHA: “dados científicos não justificam o uso de suplementos de vitaminas antioxidantes para reduzir o risco cardiovascular”.

WILLETT W C. WHAT VITAMINS SHOULD I BE TAKING, DOCTOR? NEJM, 2001
Halliwell B. The antioxidant paradox. THE LANCET 2000
Lichtenstein A H. Essential Nutrients: Food or Supplements? Where Should the Emphasis Be? JAMA,2005
Morris MC. A Potential Design Flaw of  randomized Trials of Vitamin Supplements JAMA, 2011
Thomson C. Brazil nuts: an effective way to improve selenium status Am J Clin Nutr 2008

terça-feira, 24 de julho de 2012

Preciso tirar o pão da dieta para perder peso?

Pesquisadores avaliaram em pacientes obesos o efeito de dieta de baixa caloria com ou sem pão na velocidade da perda de peso.
Foi um estudo randomizado com 122 mulheres com IMC >25 e <40.
O estudo concluiu que a inclusão do pão na dieta de baixa caloria com o objetivo de perda de peso levou a:
- uma melhor evolução dos parâmetros dietéticos,
- Melhor a adesão a dieta
- Menor percentual de desistências no grupo com pão;
- Resultou em uma maior sensação de saciedade após a ingestão.
Estes resultados contradizem a recomendação para excluir pão de um plano alimentar que visa a perda de peso!

(Loria-Kohen Clin Nutr. 2011; Loria-Kohen Nutr Hosp. 2011 Oct; 26(5):1155-60)

segunda-feira, 23 de julho de 2012

Precisamos incluir as frutas no plano alimentar!!

Órgãos nacionais e internacionais recomendam um aumento da ingestão de frutas e legumes, a fim de diminuir o risco de excesso de peso e da obesidade.  
Pesquisadores publicaram em 2009 uma revisão sistemática sobre o efeito do consumo de frutas no peso corporal. Dois dos estudos de intervenção mostraram que a ingestão de frutas levou a redução do peso corporal, cinco estudos observaciona mostraram que o consumo de fruta reduziu o risco de desenvolver sobrepeso e obesidade, e quatro dos estudos transversais encontraram uma associação inversa entre a ingestão de frutas e peso corporal. A maioria de as evidências apontam para uma possível associação inversa entre consumo de frutas e excesso de peso.
(Alinia, The potential association between fruit intake and body weight – a review, obesity reviews, 2009)

Suplementos para prática de exercício físico

Publicado no Current Opinion in Clinical Nutrition and  Metabolic Care, 2008, artigo enfatiza que muitos produtos alimentares são vendidos no mercado, mas apenas alguns tem conhecimento científico suficiente para serem usados ​​corretamente e eficientemente para melhorar o desempenho.
Entre os componentes bem documentados, a creatina é uma das mais populares e é utilizado para aumentar força e potência muscular, bem como a massa corporal magra. A cafeína aumenta a performance de resistência e melhora tempo de reação, atenção e processamento da informação visual. Os aminioácidos de cadeia ramificada (AACR ou BCAA), mais particularmente a leucina, melhora o equilíbrio da proteína muscular.             
Apesar destes suplementos alimentares demonstraram a sua eficácia, eles apenas contribuiem de forma  parcial para o desempenho, e devem ser utilizado sempre na presença de treinamento. A nutrição balanceada é essencial para garantir que os indivíduos que praticam atividade física apresentem o máximo de seu potencial.

Deldicque. Functional food for exercise performance: fact or foe? Current Opinion in Clinical Nutrition and  Metabolic Care 2008, 11:774–781

sexta-feira, 20 de julho de 2012

GASTRONOMIA E CORAÇÃO SAUDÁVEL

Gastronomia e Coração Saudável foi tema da última reunião científica mensal da Sociedade de Cardiologia do RJ no dia 30 de junho.  

A alimentação constitui uma das atividades humanas mais importantes, não só por razões biológicas, mas também por envolver aspectos sociais e psicológicos. Comemos por que temos fome, mas também quando nos encontramos com os amigos, os almoços de família e também comemoramos aniversários, dia dos namorados, festa junina, etc…

O binômio alimentação e qualidade de vida está sendo cada vez mais estudado. Já é consenso a necessidade de uma alimentação adequada a fim de prevenir doenças e garantir uma vida saudável. Neste contexto, principalmente em momentos de doença e de perda de peso, a dieta é prescrita e o aspecto sensorial é deixado de lado. Assim, a proposta de alimentação saudável fica inviável, impalatável, monótona e resultado é a insatisfação. O aspecto do prazer no ato de se alimentar é especialmente relevante quando se busca qualidade de vida!

A gastronomia aliada a nutrição pode proporcionar o prazer, associando a qualidade do alimento com as sensações gustativas, olfativas que ele desperta em quem o ingere. Os alimentos por si só não estimulam o homem a se alimentar. Saber que o alimento é rico em fibras ou com omega 3 não proporciona sensações gustativas. É necessário torná-los atraente.

Associação entre dieta e “frango grelhado com alface” precisa ser abolida! As refeições precisam deixar de ser monótonas e virar saborosas! Apenas assim, a adesão será satisfatória!  Lembrando apenas que as dietas restritas, dietas da moda, dietas de revista além de não fornecerem calorias suficientes, são desbalanceadas, levam a deficiências nutricionais, não induzem a mudança de comportamento e nem do padrão alimentar. Por tanto são insustentáveis.

A boa notícia é que é possível aprender a comer com prazer, e isto é indispensável para uma alimentação saudável. Você é o que você come!