quarta-feira, 25 de julho de 2012

SUPLEMENTOS ANTIOXIDANTES PARA CARDIOPATAS

Suplementação Nutricional em Cardiologia foi tema central da VIII Jornada de Nutrição Clínica da UFRJ 2012.  Participei da mesa redonda discutindo o controverso tópico: Suplementos Antioxidantes em Cardiologia. Segue um resumo da conferência:

Antioxidantes são substâncias que neutralizam os radicais livres (RL) reduzindo-os pela adição de um elétron do íon hidrogênio. O RL apresenta funções fisiológicas e também patológicas podendo gerar aterosclerose (hipótese oxidativa). Nosso organismo tem antioxidantes enzimáticos (GPX, CAT, SOD) e não enzimáticos (nutrientes – vitamina E, C, A, beta caroteno, selênio) que agem em sinergismo. A quantidade de antioxidantes que deveremos ingerir é determinada pelas DRIs. Alguns estudos avaliam o uso desses nutrientes sob a forma de suplementos e outros na forma de alimento.
Estudos observacionais com vitamina E mostram que os mesmos tem redução do risco de DAC, porém ensaios clínicos não acham tais resultados, além de evidenciar maior risco de AVE.
O primeiro importante Trial com a vitamina C, nutriente que atua como antioxidante na fase aquosa, não mostrou melhora dos desfechos CV. Já em relação ao b caroteno, os estudos observacionais são muito claros em relação a maior concentração sérica na redução de DCV, mas em meta-análise recente com suplementação não mostra efeito benéfico.
Selênio, mineral essencial para a síntese da glutationa peroxidase, ao ser suplementado sob a forma de alimento (castanha do Brasil) apresentou um efeito antioxidante superior quando comparado as pastilha de selênio. Por fim muitos trabalhos estão em andamento para avaliar o efeito antioxidante do resveratrol, polifenol encontrado principalmente na uva e no vinho tinto, mostrou que houve melhora na resposta vascular.
E os multivitaminicos, que são mais frequentemente consumidos, também falharam em mostrar melhora na qualidade de vida e nos desfechos DCV. Alguns pesquisadores levantam a hipótese do paradoxo dos antioxidantes que o efeito protetor da dieta não é equivalente ao efeito protetor dos antioxidantes da dieta, como por exemplo, dietas ricas em b caroteno protegem, mas não é o b caroteno o agente protetor.
Pesquisadores ressaltam que os alimentos tem muitos nutrientes – distinguir o efeito dos vários nutrientes é complicado. Importante ainda considerar que os indivíduos ingerem alguma quantidade de antioxidantes – o efeito da suplementação depende da quantidade habitualmente consumida. Sendo assim, ideal avaliar os níveis dos nutrientes pré-tratamento com suplementos.
American College of Cardiology and American Heart Association (AHA) defende que “não há base para recomendar aos pacientes a ingestão de suplementos de vit C e E ou outros antioxidantes para o propósito de prevenir ou tratar DAC”. Comitê de Nutrição do AHA: “dados científicos não justificam o uso de suplementos de vitaminas antioxidantes para reduzir o risco cardiovascular”.

WILLETT W C. WHAT VITAMINS SHOULD I BE TAKING, DOCTOR? NEJM, 2001
Halliwell B. The antioxidant paradox. THE LANCET 2000
Lichtenstein A H. Essential Nutrients: Food or Supplements? Where Should the Emphasis Be? JAMA,2005
Morris MC. A Potential Design Flaw of  randomized Trials of Vitamin Supplements JAMA, 2011
Thomson C. Brazil nuts: an effective way to improve selenium status Am J Clin Nutr 2008

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