terça-feira, 30 de outubro de 2012

Campanha do Dia Mundial do Coração


 
Esta será a primeira vez que a comemoração organizada pela Sociedade Brasileira de Cardiologia – SBC terá amplitude tão grande e o diretor de Promoção de Saúde Cardiovascular da SBC, Carlos Alberto Machado, explica que o objetivo é virar o jogo. “Vamos fazer com que em vez de apenas atendermos os infartados e vítimas de AVC, trabalhemos na prevenção de doenças e promoção de saúde, levando informações e promovendo atitudes que evitem a ocorrência das doenças cardiovasculares”. Para isso, completa, “é preciso motivar e sensibilizar o médico que atua na ponta do sistema de Saúde, que trabalha junto à população na UBS, no atendimento às famílias no local mais próximo de onde elas residem”.

O programa a ser desenvolvido conta com apoio do Ministério da Saúde, Conselho Nacional de Secretários de Saúde – CONASS e Conselho Nacional de Secretários Municipais de Saúde – CONASEMS, dos Conselhos de Secretários Municipais de Saúde – COSEMSs e das Regionais da SBC. Uma aula foi desenvolvida pela Diretoria de Promoção de Saúde Cardiovascular da SBC para profissionais da área de saúde e está disponível na internet e uma cartilha para a população apresenta os fatores de risco que levam à morbidade e mortalidade cardiovascular e à consequente mortalidade que é altíssima, pois 320 mil brasileiros morrem a cada ano devido a doenças cardiovasculares.

O vídeo tem a apresentação do coordenador do programa “Agita São Paulo”, Victor Matsudo, e de Annie Bello, do Instituto Nacional de Cardiologia e mostra a importância da atividade física e de ter uma alimentação saudável, como fatores de prevenção.

link para o video:
http://www.webtvsbc.com.br/default.aspx?play=576&status=onDemand&cnl=117&tag=all&pos=156&ts=2#abas

publicado www.saudeweb.com.br

terça-feira, 2 de outubro de 2012

UERJ SEM MUROS, 2012

Trabalho desenvolvido na área de Nutrição e Aterosclerose no INC

Parabéns Karine pela apresentação e pela colaboração da Diuli!!

ASSOCIAÇÃO ENTRE CIRCUNFERÊNCIA DO PESCOÇO E HIPERTRIGLICERIDEMIA EM PACIENTES COM SÍNDROME CORONARIANA CRÔNICA
O objetivo do estudo foi avaliar a associação da PP com os dados antropométricos e bioquímicos em uma população de pacientes cardiopatas.
Foi realizado um estudo transversal com 53 pacientes com síndrome coronariana crônica, admitidos no ambulatório de coronariopatias de Instituto Nacional de Cardiologia do Rio de Janeiro. Todos os indivíduos apresentavam dislipidemia controlada por medicamentos.
Avaliou-se as medidas antropométricas (peso corporal, índice de massa corporal (IMC), perímetro da cintura (PC) e do pescoço (PP) e avaliação bioquímica. Os dados foram avaliados com o auxilio do programa computacional Statistical Package for the Social Sciences (SPSS) versão 18.0.
A amostra constitui-se de 53 pacientes (31homens e 22 mulheres) sendo a população composta por mais homens 58,4%. A média da idade dos participantes foi 63,03±8,37 anos, sendo a média 62,09±7,30 anos 64,36±9,70 anos, para homens e mulheres, respectivamente.  Dos homens 27,3% apresentavam angina estável e 69,7% com história prévia de infarto agudo do miocárdio.  A Tabela 1 apresenta a distribuição dos indivíduos estudados.
A correlação de Pearson pode ser avaliada na tabela 2, onde mostra os resultados do PP com as variáveis antropométricas, o perfil lipídico e a glicemia, segundo o sexo.
A correlação mais evidente foi verificada entre a PP e o IMC tanto para os homens (r= 0,820; p<0,05) como para mulheres (r = 0,549; p<0,05) e da PP com a PC somente em homens ( r =0 ,787; p<0,05) e da PP com o peso corporal (r=0,837 ; p<0,05), (r=0,565; p<0,05) homens e mulheres respectivamente. Sendo esses dados de acordo com os achados  de Ben-Noun e colaboradores  que investigaram a relação entre a PP e fatores de risco para DAC, os homens quando comparados as mulheres eram mais pesados e altos e possuíam PP mais elevado15.
Nossos resultados sugerem que a mensuração do PP deve ser incluído na prática clínica, por ser um método simples de realizar e por sua capacidade de estimar os fatores de risco cardiovasculares.

UERJ SEM MUROS, 2012

Apresentação dos dados do projeto Nutrição e Aterosclerosclerose desenvolvido no Instituto Nacional de Cardiologia.
Parabéns JANAINA FORTUNATO pela apresentação do poster na USM, 2012.

Segue um breve resumo do trabalho:

Avaliação do comportamento e do hábito alimentar em pacientes em pacientes com dislipidemia
No nosso trabalho avaliamos prevalência dos múltiplos fatores de risco cardiovascular como a obesidade, padrão de consumo alimentar e hábitos sedentários em pacientes dislipidêmicos de um hospital de alta complexidade em cardiologia.
Foram recrutados 87 pacientes admitidos no ambulatório de Nutrição do Serviço de Aterosclerose e Prevenção Cardiovascular Instituto Nacional de Cardiologia com dislipidemia . Avaliou-se IMC, circunferência da cintura de risco (CC, mulheres >80 e homens >94 cm), hábitos alimentares, presença de compulsão alimentar e fatores clássicos de risco para doença cardiovascular.  Análise estatística foi realizada utilizando o SPSS.
Na população estudada observamos 90% de hipertensos, 73 % diabéticos e 58% com infarto prévio. Sexo feminino apresentou maior freqüência de hipercolesterolemia (LDL>160; 55,3%; 13,8%, p<0,001), perfil diferente do sexo masculino com maior número de pacientes com hipertrigliceridemia (TG>400; 37,5%; 16,2% p=0,04).
Merece destaque a inadequação em relação aos 10 passos de alimentação saudável preconizados pelo MS, a população atingiu uma média de 5 passos (min2- max8) somada a freqüência baixa de consumo de frutas e verduras, frutas e leite e derivados resultando em 100% de inadequação dietética.
Verificou-se que os dislipidêmicos permanecem em média 4 horas diárias expostos à programação televisiva e apenas 18% são praticantes de atividade física. Fatores estes que contribuem ainda mais para o perfil nutricional encontrado de 44,7% sobrepeso e 42% obeso e com CC de risco em 87,4% dos pacientes.
Pacientes dislipidêmicos de um hospital de alta complexidade apresentam alta prevalência de fatores de risco modificáveis, como 80% de excesso de peso, 82% sedentarismo e 100% de inadequação no padrão alimentar. Deve ser realizada implantação de medidas preventivas através da modificação do estilo de vida.

sexta-feira, 21 de setembro de 2012

33 Simpósio do Instituto Nacional de Cardiologia

Acontecerá no Hotel Mariott nos dias 13 e 14 de novembro.

Não percam!!
Vejam a programação completa:
www.33simposioinc.com.br

Alguns temas:

"Nutrientes essenciais: Alimentos ou Suplementos"
Moderadora: Dra.Glaucia Maria Moraes de Oliveira (presidente da SOCERJ)
*Suplementos antioxidantes para cardiopatas
Palestrante: Annie Seixas Bello Moreira
* Alimentos funcionais para cardiopatas
Palestrante: Glorimar Rosa
Diabetes, dislipidemia e Hipertensão Arterial: como manusear na atualidade?
*Novos fármacos para o controle da Diabetes
Palestrante: Dr. Alexander Benchimol
*Tratamento das dislipidemias graves
Palestrante: Dr. Marcelo Heitor Vieira Assad
*Hipertensão Arterial Resistente: Fatores Clinicos e etiologicos, a terapêutica adotada
Palestrante: Dr. Ivan Luiz Cordovil de Oliveira
Doença Cardiovascular no jovem"
Moderador: Dra. ReginaMaria de Aquino
*Jovem com doença aterosclerotica
Palestrante: Dra. Andrea Rocha de Lorenzo
* Estudo de Risco Cardiovascular em Adolescentes
Palestrante: Dra. Maria Cristina Caetano Kuschnir
"Preparando para alta hospitalar: pacientes submetidos a cirurgia cardiaca"
Moderadora: Dr. Jose Eduardo Siqueira
* Repercussões emocionais
*Orientações quanto aos cuidados e recuperação da autonomia

sábado, 1 de setembro de 2012

XIV Encontro de Nutrição do HCE

No XIV Encontro de Nutrição do HCE dia 19 de setembro abordarei o controverso tema: Suplementos Antioxidantes em Cardiopatas.

Antioxidantes são substâncias que neutralizam os radicais livres (RL) reduzindo-os pela adição de um elétron do íon hidrogênio. O RL apresenta funções fisiológicas e também patológicas podendo gerar aterosclerose (hipótese oxidativa). Nosso organismo tem antioxidantes enzimáticos (GPX, CAT, SOD) e não enzimáticos (nutrientes – vitamina E, C, A, beta caroteno, selênio) que agem em sinergismo. A quantidade de antioxidantes que deveremos ingerir é determinada pelas DRIs. Alguns estudos avaliam o uso desses nutrientes sob a forma de suplementos e outros na forma de alimento.

Na palestra iremos discutir e eficácia e a segurança dos suplementos antioxidantes tendo com base estudos observacionais e clínicos.

sexta-feira, 31 de agosto de 2012

Dia Mundial do Coração

A Sociedade Brasileira de Cardiologia organizou um bate papo para comemorar o Dia Mundial do Coração, que será no dia 29 de setembro de 2012.
 
A entrevista foi conduzida pelo Dr. Carlos Alberto Machado, diretor de Promoção de Saúde Cardiovascular da SBC.Na video- aula eu falei de alimentação para um coração saudável e o Dr   Victor Matsudo falou sobre a importância da atividade física. Dr Victor é médico do esporte e ortopedista e Vice-Presidente do Conselho Internacional de Ciências do Esporte - ICSSPE.
 
A World Heart Federation escolheu para 2012 como foco central para prevenção as mulheres e crianças. 
É importante lembrar que estimular pequenas mudanças ajudam a reduzir o riscos de derrames e doenças cardíacas. Os três fatores destacados pela World Heart Federation foram: a alimentação saudável,  atividades físicas, e banir o uso do tabaco.

Como vocês podem ver nas postagens anteriores, cada vez mais as pessoas estão buscando alimentos processados que geralmente contém alto teor de açúcar, sal, gorduras saturadas e trans. Dietas não-saudáveis estão ligadas a 4 dos 10 maiores fatores de risco de morte no mundo (diabetes, dislipidemia, hipertensão e a obesidade). Uma dieta saudável para o coração, rica em frutas e vegetais, ajuda a prevenir doenças cardiovasculares e derrames.

Inatividade física causa 6% de mortes globais. Fatores de risco, como obesidade, diabetes e a falta de atividade física, presentes na infância podem aumentar muito a  probabilidade de uma criança de desenvolver doenças cardíacas quando adulto.

Dr Victor Matsudo apresentou o Agitol, não sei se vocês conhecem, mas falarei mais sobre esse "medicamento" maravilhoso na próxima postagem, aguardem!

quinta-feira, 9 de agosto de 2012

Como está o padrão alimentar do brasileiro?

O artigo apresenta a distribuição regional e socioeconômica da disponibilidade domiciliar de alimentos no Brasil, em 2008-2009. O estudo foi feito através da Pesquisa de Orçamento Familiar 2008-2009 sobre aquisição de alimentos e bebidas para consumo doméstico, realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística​​. Em 55,970 famílias foram registradas durante 7 dias consecutivos a quantidades de alimentos consumidos e foram convertidos em calorias e nutrientes.
A quantidade de proteínas foi adequada em todos os estratos regionais e socioeconômicas. Por outro lado, um excesso de açúcar e gorduras foi observada em todas as regiões do país, especialmente nas regiões Sul e Sudeste. A proporção de gorduras saturadas foi elevada em áreas urbanas e consistente com a maior contribuição dos produtos de origem animal. Disponibilidade limitada de frutas e vegetais foi encontrada em todas as regiões. Um aumento no conteúdo de gordura e redução do conteúdo de carboidratos da dieta foram observados no maior nível sócio-econômico.

(Rev Saude Publica. 2012 Feb;46(1):6-15)

A dieta do brasileiro está piorando sugere estudo

Dados publicados na Revista  Brasileira de Epidemiologia em 2011 teve como  objetivo foi avaliar as questões marcadoras de consumo alimentar e sua evolução temporal.
Foram avaliados 135.249 indivíduos de 27 cidades brasileiras, entrevistados nos anos de 2007 – 2009.
Observou-se aumento estatisticamente significativo nas frequências de consumo de feijão, leite integral e refrigerante normal e diminuição no consumo de leite desnata­do.
Mesmo com aumento de 11 para 13% de indivíduos que referiram consumir feijão diariamente, esses percentuais são baixos; assim como o consumo recomendado de 3 porções de frutas e 3 porções de hortali­ças por dia, que foi referido por menos de 15% da população em todos os anos, com queda de 5 para 3% para as hortaliças. O refrigerante não diet foi o item com maior aumento no consumo, passando de 60 para 67%. Os itens avaliados apresentaram fraca correlação e não configuram um constructo único de alimentação saudável.
Os autores concluiram que a qualidade da dieta dos brasileiros tem piorado e é necessária melhor qualifi­cação dos marcadores alimentares consi­derados de risco para doenças crônicas não-transmissíveis.
Rev Bras Epidemiol2011; 14(1) Supl.: 44-52

Beber suco engorda?

Publicado na Public Health Nutrition um estudo em crianças da quarta série sobre a influencia do consumo de água e bebidas açúcaradas e alterações no IMC (índice de massa corporal).
O objetivo do trabalho foi avaliar se a água potável per se é associado com beber menos de outras bebidas e se as alterações no IMC estão associados com a ingestão de água e outras bebidas.
O trabalho foi realizado em escolas públicas da região metropolitana do Rio de Janeiro, Brasil. Os participantes foram 1134 estudantes com idades entre 10-11 anos.
A freqüência basal de consumo de água foi negativamente associado com a mudança de peso acima de 1 ano, mas sem significância estatística (coeficiente = -0 · 08 kg/m2; IC 95% -0 · 37 anos, 0,24 kg/m2) , enquanto o consumo de suco de fruta foi positivamente associado com a mudança de peso: a cada aumento da ingestão de suco de fruta de 1 copo / d foi associada a um aumento do IMC de 0,16 (IC 95% 0,02, 0,30) kg/m2.
Os resultados não suportam um efeito protetor do consumo de água no IMC, mas confirmam o consumo de sucos como um fator de risco para ganho de IMC.


(Public Health Nutrition, maio 2012)

O que comemos quando estamos fora de casa?

A professora Roseli Sichieri do Departamento de Epidemiologia da UERJ publicou no mês passado no British Journal of Nutrition uma pesquisa sobre a contribuição dos alimentos consumidos fora de casa para o consumo de energia durante o dia.
O objetivo do estudo foi estimar a contribuição da dieta de fora de casa no consumo total de alimentos e investigar a associação entre comer fora de casa e consumo total de energia em áreas urbanas brasileiras. Na primeira pesquisa nacional de alimentação, realizado em 2008-9, registros alimentares foram coletadas de 25.753 indivíduos com 10 anos ou mais, residentes em áreas urbanas do Brasil. Os alimentos foram agrupados em trinta e três grupos de alimentos, e o consumo médio de energia fornecida com comida fora-de-casa foi estimada.
Do total da população, 43% consumiram pelo menos um item alimentar fora de casa. O consumo médio de dos alimentos consumidos fora de casa era 337 kcal, com média de 18% do consumo energético total.
Comer fora de casa foi associada com aumento da ingestão calórica total, exceto para os homens no nível de renda mais alta. O maior percentual de alimentos consumidos fora-de-casa foi de alimentos com alto teor de energia, tais como bebidas alcoólicas (59%), salgadinhos assados ​​e fritos (54%), pizza (42%), refrigerantes ( 40%), sanduíches (40%), e doces e sobremesas (30%).
O consumo de alimentos fora de casa foi relacionado a um maior consumo de energia.
Br J Nutr. 2012 Jul 31:1-8. [Epub ahead of print]

quarta-feira, 8 de agosto de 2012

Manutenção do peso perdido 2

A Sociedade Americana de Dietética se posiciona sobre as orientações e dietas para manutenção do peso (J Am Diet Assoc. 2009;109:330-346).

O que temos de evidência:

Composição da dieta
Deverá ser rica em carboidrato? Pobre em gordura?
O que a literatura explica:
O consumo de 3-4 porções de alimentos lácteos com baixo teor de gordura por dia deve ser recomendado no programa alimentar para gerenciamento do peso.
Alguns profissionais sugerem: alimentos com baixo índice glicêmico e alimentos com baixo teor de gordura podem ser incorporados no plano alimentar, mas não são essenciais para controle de peso. A dieta do baixo índice glicêmico não é recomendado para perda de peso ou manutenção do peso, uma vez que não tem sido demonstrado ser eficaz
Controle da porção
Cada dia estamos mais expostos a maiores porções (pipoca, refirgerante e etc...).
Fornecer informações sobre o conteúdo energético de alimentos de consumo regular (ex: taça de sorvete, bolo), o uso de alimentos com pequenas porções (por exemplo, pratos congelados, pacotes de salgadinhos com 100 kcal), reduzir a densidade energética dos alimentos (ex;entrada com salada) e substituição de alimentos de maior densidade energética por de menor densidade (por exemplo, lanche da noite -cereais com leite) são boas estratégias.  
O controle das porções realmente deve ser incluído como parte do programa de controle do peso.
Sobre os substitutos de refeição “Shakes”
Exemplos: refeições líquidas, barras de proteína, ou de refeições pré preparadas com calorias controladas
Para as pessoas que têm dificuldade na seleção do alimento/ ou o controle do tamanho da porção, os substitutos de refeições podem ser usados como parte da estratégia de um amplo programa de controle de peso.
Deverá substituir uma ou duas refeições diárias com os substitutos de refeições que poderá promover uma perda de peso/ manutenção bem sucedida
Dietas de muito baixo valor calórico
As dietas de muito baixo teor calórico, definida como 800 kcal ou 6 a 10 kcal / kg ou menos, os resulta em perda de peso significativa. Porém sem a manutenção a longo prazo, as taxas de reganho de peso são maiores.

Manutenção do peso perdido 1

A Sociedade Americana de Dietética se posiciona sobre as orientações e dietas para manutenção do peso(J Am Diet Assoc. 2009;109:330-346). O que temos de evidência:

Exercício
Quais são as verdadeiras recomendações? Caminhar 3 vezes por semana bastam?
As recomendações são variadas para cada situação clínica;
1)      para reduzir o risco de doenças crônicas na idade adulta deve-se realizar 30 minutos de atividade física de intensidade moderada na maioria dos dias da semana
2)      para ajudar a controlar o peso corporal e evitar o ganho de peso na idade adulta, 60 minutos de atividade moderada a vigorosa, na maioria dos dias da semana.
3)      para evitar a recuperação do peso após perda de peso, participar de 60 a 90 minutos de atividade de intensidade moderada física diária
É importante saber que exercício de 30 minutos 5 dias por semana leva a queima de 1.000 kcal por semana. Vale considerar que facilmente conseguimos restringir 1000 kcal da alimentação habitual. Por tanto conseguir fazer atividade física não é “desculpa” para não perder peso!

Frequência de consumo alimentar
Será que devemos comer de 3 em 3 horas mesmo?
Três estudos transversais mostram uma associação pular o desjejum e um aumento da prevalência ou risco de obesidade.
A ingestão calórica total deve ser distribuída ao longo do dia, com o consumo de quatro a cinco refeições / lanches por dia, incluindo café da manhã. Consumo de maior consumo de energia durante o dia pode ser preferível ao consumo de noite.


Obesidade: Tratamento comportamental

Terapia comportamental no manejo da obeso
Os 9 passos:
1. Estabelecimento de metas claras
2. Orientação de como mudar hábitos
3. Foco em mudanças pequenas, em vez de grandes mudanças
4. Auto-monitorização
5. Controle de estímulos
6. Comer mais devagar
7. A educação nutricional é um componente essencial
8. O aumento da atividade física
9. Modificação comportamental é mais sustentável a longo prazo, na presença de apoio social/ psicológico/ clínico e social.

Adesão ao tratamento

O que significa ter adesão ao tratamento nutricional?
Eu estou seguindo as recomendações terapêuticas?
Eu compreendendo o meu diagnóstico?
Eu colaboro na avaliação e na formulação do plano alimentar?
Eu contribuo no planejamento de metas?
Eu comprometo-me com a mudança?
Eu avalio os resultados?
Eu consigo manter os ganhos?
O abandono precoce do tratamento nutricional é inaceitavelmente comum na rotina clínica.

terça-feira, 31 de julho de 2012

Leite com elevado teor de cálcio evita sobrepeso e obesidade

A obesidade está associada a doenças crônicas, incluindo a doença cardiovascular, hipertensão, e diabetes. Baixa ingestão de cálcio tem sido identificada como um fator de risco de sobrepeso e obesidade.
O objetivo do estudo: Avaliar o efeito da ingestão de leite fortificado com cálcio, com baixo teor de gordura, com adição de vitamina D em comparação com um placebo (bebida de baixa quantidade cálcio)

A metodologia: Foram avaliadas mulheres menopausadas há pelo menos 5 anos. Sessenta mulheres foram qualificadas para participar do estudo. As mulheres foram divididas aleatoriamente em dois grupos, um grupo recebeu 400 ml de leite com elevado teor de cálcio durante 16 semanas, enquanto o outro recebeu a bebida placebo. Os índices antropométricos foram medidos no início e no final do estudo.
Os principais resultados: Houve aumento significativo no peso, no índice de massa corporal (IMC) e nas  circunferências cintura e quadril  nos indivíduos que receberam a bebida placebo.
As conclusões:  O aumento da ingestão de cálcio pode ser uma medida útil, como parte de uma abordagem global, para prevenir a ocorrência de sobrepeso e obesidade entre as mulheres após a menopausa.

(Food Nutr Bull. 2010 Sep;31(3):381-90)

segunda-feira, 30 de julho de 2012

Densidade energética na perda de peso

Artigo publicado pelo American Journal of Clinical Nutrition realizou uma revisão sistemática da literatura e mostrou que a principal estratégia para redução da ingestão alimentar era a redução da densidade energética (calorias por grama). 
Alimentos de baixa densidade energética são: frutas, vegetais e sopas.
Esses alimentos mantem a saciedade reduzindo o consumo de comida.

Outro estudo, realizado pelo mesmo grupo de pesquisadores, avaliou 97 mulheres durante1 ano de acompanhamento. O dieta do grupo controle tinha redução de gordura; e o grupo intervenção além da redução da gordura tinha também aumento do consumo de alimentos ricos em água (frutas e vegetais).
No primeiro ano, ambos os grupos perderam peso, porém, o com alimentos ricos em água perdeu mais peso, além de ter relatado menos fome.
Estudo evidenciou que a estratégia de incluir nas orientações o consumo de frutas/ verduras foi eficaz levando a maior perda de peso e maior saciedade.

(Ello-Martin Am J Clin Nutr. 2005;82(1Suppl):236S-241S)
(Ello-Martin, Am J Clin Nutr. 2007 Jun;85(6):1465-77)

Qual deve ser o foco do tratamento da obesidade?

Foco do tratamento da obesidade no peso corporal é pouco efetivo em produzir magreza ou corpos mais saudáveis, além de ter várias conseqüências indesejadas como:
– Preocupação excessiva com a comida e o corpo;
– Ciclos de perda e reganho de peso;
– Distração em relação a outros problemas de saúde;
– Reduz a auto-estima;
– Pode causar transtornos alimentares;
– Discriminação em função da imagem corporal.
O foco do tratamento do obeso deve ir além da perda de peso pois, baseado em evidencias, este tipo de tratamento além de ineficaz pode ser prejudicial para o paciente.

(Bacon and Aphramor; Nutrition Journal 2011)

Acompanhamento nutricional após perda de peso

Artigo publicado no New England Journal of Medicine acompanhou 50 pacientes obesos durante 10 semanas com dieta para perda de peso e os avaliou após 1 ano.
Houve perda de peso nas primeiras 10 semanas e ocorreram a mudanças hormonais como aumento de grelina (hormônio que aumenta o apetite) e redução da leptina. 
Essas mudanças persistiram após 1 ano do acompanhamento.
Através deste trabalho, fica evidente que um ano após a redução de peso inicial, os níveis dos mediadores circulantes de apetite, que levam a recuperação do peso após dieta para perda de peso, não voltaram aos níveis registrados antes da perda de peso.
Por tanto, as estratégias de longo prazo são necessárias para prevenir a recidiva do reganho de peso e da obesidade
(N Engl J Med. 2011, 27;365(17):1597-604)

sexta-feira, 27 de julho de 2012

As propriedades dos fungos!

O seu consumo pode ajudar na redução do colesterol e a prevenir o envelhecimento

 Os fungos são responsáveis pelo processamento de um número considerável de itens de nossa alimentação. Pães e bebidas alcoólicas como cerveja, vinho e espumantes são fermentados através de leveduras, que são espécies de fungos. Além da produção desses alimentos, alguns fungos por si só, como o shitake e o shimej, são muito ricos em proteínas e fonte de grande quantidade de vitamina B e zinco. A vitamina B é fundamental para o crescimento de unhas e cabelos e o zinco muito importante para o desenvolvimento do corpo humano e por isso, muito indicado na alimentação de crianças.

A Professora Adjunta de Nutrição Clínica da Universidade Estadual do Rio de Janeiro, Annie Bello, conta que, atualmente, o fator que mais chama a atenção dos pesquisadores nas propriedades alimentícias dos fungos é um componente chamado beta glucana. “Ela é uma fibra alimentar considerada anticancerígena, antiviral e anti-oxidante. Essa característica faz com que o consumo desses tipos de fungo ajude na prevenção contra o envelhecimento e na redução de colesterol”.
Além de serem ricos em proteínas, vitaminas e minerais e não serem fontes de gordura, o shitake e o shimej, por exemplo, costumam ser saborosos e têm um preparo prático.
Os fungos combinam com tudo. É saboroso e contém baixissima caloria (35kcal) , quase 0g de gordura e tem 3 vezes mais ácido fólico do que a mulher precisa (1100mcg/100g)! Podem ser misturados em refeições simples como o arroz, macarrão e omelete.

O cogumelo paris, mais conhecido como champignon, possui menos nutrientes que o shitake e o shimej. Como costumam ser comercializados em conserva, têm uma grande quantidade de sal, por isso não são os mais indicados para o consumo. O ideal é consumir o funghi seco ou in natura.
Os fungos têm propriedades tão opostas que, ao mesmo tempo em que são fundamentais para a produção de determinados alimentos e servem como produto alimentar, também são prejudiciais. O bolor, por exemplo, é uma colônia de fungos que estão se proliferando, e quando ele aparece no alimento caracteriza uma contaminação. Isso pode ser notado quando esquecemos pão fora da geladeira e enxergamos nele uma cor estranha. Essa contaminação pode ser só fúngica, ou com bactérias, o que significa o alimento está impróprio para o consumo.
A sua função na fermentação de bebidas alcoólicas e queijos é fundamental para a existência desses alimentos. Nesse caso, eles receberam a levedura (uma espécie de fungos) em quantidades adequadas. No caso do pão com bolor, a fermentação passou o tempo de sua chamada vida útil ou de prateleira.
(Matéria Globo Ecologia, 2011)

quinta-feira, 26 de julho de 2012

Fisiologia do gosto

Sugestão de leitura
Fisiologia do Gosto escrito por um juiz apaixonado pelos prazeres da mesa - Brillar – Savarin (1755-1826)
O prazer da mesa pertence a todas as épocas, todas as condições, todos os países, todos os dias;
A mesa é o único lugar onde jamais nos entediamos na primeira hora;
A descoberta de um novo manjar causa mais felicidade ao humano que a descoberta de uma estrela;
Os que se empanturram e se embriagam não sabem comer e nem beber”

quarta-feira, 25 de julho de 2012

SUPLEMENTOS ANTIOXIDANTES PARA CARDIOPATAS

Suplementação Nutricional em Cardiologia foi tema central da VIII Jornada de Nutrição Clínica da UFRJ 2012.  Participei da mesa redonda discutindo o controverso tópico: Suplementos Antioxidantes em Cardiologia. Segue um resumo da conferência:

Antioxidantes são substâncias que neutralizam os radicais livres (RL) reduzindo-os pela adição de um elétron do íon hidrogênio. O RL apresenta funções fisiológicas e também patológicas podendo gerar aterosclerose (hipótese oxidativa). Nosso organismo tem antioxidantes enzimáticos (GPX, CAT, SOD) e não enzimáticos (nutrientes – vitamina E, C, A, beta caroteno, selênio) que agem em sinergismo. A quantidade de antioxidantes que deveremos ingerir é determinada pelas DRIs. Alguns estudos avaliam o uso desses nutrientes sob a forma de suplementos e outros na forma de alimento.
Estudos observacionais com vitamina E mostram que os mesmos tem redução do risco de DAC, porém ensaios clínicos não acham tais resultados, além de evidenciar maior risco de AVE.
O primeiro importante Trial com a vitamina C, nutriente que atua como antioxidante na fase aquosa, não mostrou melhora dos desfechos CV. Já em relação ao b caroteno, os estudos observacionais são muito claros em relação a maior concentração sérica na redução de DCV, mas em meta-análise recente com suplementação não mostra efeito benéfico.
Selênio, mineral essencial para a síntese da glutationa peroxidase, ao ser suplementado sob a forma de alimento (castanha do Brasil) apresentou um efeito antioxidante superior quando comparado as pastilha de selênio. Por fim muitos trabalhos estão em andamento para avaliar o efeito antioxidante do resveratrol, polifenol encontrado principalmente na uva e no vinho tinto, mostrou que houve melhora na resposta vascular.
E os multivitaminicos, que são mais frequentemente consumidos, também falharam em mostrar melhora na qualidade de vida e nos desfechos DCV. Alguns pesquisadores levantam a hipótese do paradoxo dos antioxidantes que o efeito protetor da dieta não é equivalente ao efeito protetor dos antioxidantes da dieta, como por exemplo, dietas ricas em b caroteno protegem, mas não é o b caroteno o agente protetor.
Pesquisadores ressaltam que os alimentos tem muitos nutrientes – distinguir o efeito dos vários nutrientes é complicado. Importante ainda considerar que os indivíduos ingerem alguma quantidade de antioxidantes – o efeito da suplementação depende da quantidade habitualmente consumida. Sendo assim, ideal avaliar os níveis dos nutrientes pré-tratamento com suplementos.
American College of Cardiology and American Heart Association (AHA) defende que “não há base para recomendar aos pacientes a ingestão de suplementos de vit C e E ou outros antioxidantes para o propósito de prevenir ou tratar DAC”. Comitê de Nutrição do AHA: “dados científicos não justificam o uso de suplementos de vitaminas antioxidantes para reduzir o risco cardiovascular”.

WILLETT W C. WHAT VITAMINS SHOULD I BE TAKING, DOCTOR? NEJM, 2001
Halliwell B. The antioxidant paradox. THE LANCET 2000
Lichtenstein A H. Essential Nutrients: Food or Supplements? Where Should the Emphasis Be? JAMA,2005
Morris MC. A Potential Design Flaw of  randomized Trials of Vitamin Supplements JAMA, 2011
Thomson C. Brazil nuts: an effective way to improve selenium status Am J Clin Nutr 2008

terça-feira, 24 de julho de 2012

Preciso tirar o pão da dieta para perder peso?

Pesquisadores avaliaram em pacientes obesos o efeito de dieta de baixa caloria com ou sem pão na velocidade da perda de peso.
Foi um estudo randomizado com 122 mulheres com IMC >25 e <40.
O estudo concluiu que a inclusão do pão na dieta de baixa caloria com o objetivo de perda de peso levou a:
- uma melhor evolução dos parâmetros dietéticos,
- Melhor a adesão a dieta
- Menor percentual de desistências no grupo com pão;
- Resultou em uma maior sensação de saciedade após a ingestão.
Estes resultados contradizem a recomendação para excluir pão de um plano alimentar que visa a perda de peso!

(Loria-Kohen Clin Nutr. 2011; Loria-Kohen Nutr Hosp. 2011 Oct; 26(5):1155-60)

segunda-feira, 23 de julho de 2012

Precisamos incluir as frutas no plano alimentar!!

Órgãos nacionais e internacionais recomendam um aumento da ingestão de frutas e legumes, a fim de diminuir o risco de excesso de peso e da obesidade.  
Pesquisadores publicaram em 2009 uma revisão sistemática sobre o efeito do consumo de frutas no peso corporal. Dois dos estudos de intervenção mostraram que a ingestão de frutas levou a redução do peso corporal, cinco estudos observaciona mostraram que o consumo de fruta reduziu o risco de desenvolver sobrepeso e obesidade, e quatro dos estudos transversais encontraram uma associação inversa entre a ingestão de frutas e peso corporal. A maioria de as evidências apontam para uma possível associação inversa entre consumo de frutas e excesso de peso.
(Alinia, The potential association between fruit intake and body weight – a review, obesity reviews, 2009)

Suplementos para prática de exercício físico

Publicado no Current Opinion in Clinical Nutrition and  Metabolic Care, 2008, artigo enfatiza que muitos produtos alimentares são vendidos no mercado, mas apenas alguns tem conhecimento científico suficiente para serem usados ​​corretamente e eficientemente para melhorar o desempenho.
Entre os componentes bem documentados, a creatina é uma das mais populares e é utilizado para aumentar força e potência muscular, bem como a massa corporal magra. A cafeína aumenta a performance de resistência e melhora tempo de reação, atenção e processamento da informação visual. Os aminioácidos de cadeia ramificada (AACR ou BCAA), mais particularmente a leucina, melhora o equilíbrio da proteína muscular.             
Apesar destes suplementos alimentares demonstraram a sua eficácia, eles apenas contribuiem de forma  parcial para o desempenho, e devem ser utilizado sempre na presença de treinamento. A nutrição balanceada é essencial para garantir que os indivíduos que praticam atividade física apresentem o máximo de seu potencial.

Deldicque. Functional food for exercise performance: fact or foe? Current Opinion in Clinical Nutrition and  Metabolic Care 2008, 11:774–781