sexta-feira, 31 de agosto de 2012

Dia Mundial do Coração

A Sociedade Brasileira de Cardiologia organizou um bate papo para comemorar o Dia Mundial do Coração, que será no dia 29 de setembro de 2012.
 
A entrevista foi conduzida pelo Dr. Carlos Alberto Machado, diretor de Promoção de Saúde Cardiovascular da SBC.Na video- aula eu falei de alimentação para um coração saudável e o Dr   Victor Matsudo falou sobre a importância da atividade física. Dr Victor é médico do esporte e ortopedista e Vice-Presidente do Conselho Internacional de Ciências do Esporte - ICSSPE.
 
A World Heart Federation escolheu para 2012 como foco central para prevenção as mulheres e crianças. 
É importante lembrar que estimular pequenas mudanças ajudam a reduzir o riscos de derrames e doenças cardíacas. Os três fatores destacados pela World Heart Federation foram: a alimentação saudável,  atividades físicas, e banir o uso do tabaco.

Como vocês podem ver nas postagens anteriores, cada vez mais as pessoas estão buscando alimentos processados que geralmente contém alto teor de açúcar, sal, gorduras saturadas e trans. Dietas não-saudáveis estão ligadas a 4 dos 10 maiores fatores de risco de morte no mundo (diabetes, dislipidemia, hipertensão e a obesidade). Uma dieta saudável para o coração, rica em frutas e vegetais, ajuda a prevenir doenças cardiovasculares e derrames.

Inatividade física causa 6% de mortes globais. Fatores de risco, como obesidade, diabetes e a falta de atividade física, presentes na infância podem aumentar muito a  probabilidade de uma criança de desenvolver doenças cardíacas quando adulto.

Dr Victor Matsudo apresentou o Agitol, não sei se vocês conhecem, mas falarei mais sobre esse "medicamento" maravilhoso na próxima postagem, aguardem!

quinta-feira, 9 de agosto de 2012

Como está o padrão alimentar do brasileiro?

O artigo apresenta a distribuição regional e socioeconômica da disponibilidade domiciliar de alimentos no Brasil, em 2008-2009. O estudo foi feito através da Pesquisa de Orçamento Familiar 2008-2009 sobre aquisição de alimentos e bebidas para consumo doméstico, realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística​​. Em 55,970 famílias foram registradas durante 7 dias consecutivos a quantidades de alimentos consumidos e foram convertidos em calorias e nutrientes.
A quantidade de proteínas foi adequada em todos os estratos regionais e socioeconômicas. Por outro lado, um excesso de açúcar e gorduras foi observada em todas as regiões do país, especialmente nas regiões Sul e Sudeste. A proporção de gorduras saturadas foi elevada em áreas urbanas e consistente com a maior contribuição dos produtos de origem animal. Disponibilidade limitada de frutas e vegetais foi encontrada em todas as regiões. Um aumento no conteúdo de gordura e redução do conteúdo de carboidratos da dieta foram observados no maior nível sócio-econômico.

(Rev Saude Publica. 2012 Feb;46(1):6-15)

A dieta do brasileiro está piorando sugere estudo

Dados publicados na Revista  Brasileira de Epidemiologia em 2011 teve como  objetivo foi avaliar as questões marcadoras de consumo alimentar e sua evolução temporal.
Foram avaliados 135.249 indivíduos de 27 cidades brasileiras, entrevistados nos anos de 2007 – 2009.
Observou-se aumento estatisticamente significativo nas frequências de consumo de feijão, leite integral e refrigerante normal e diminuição no consumo de leite desnata­do.
Mesmo com aumento de 11 para 13% de indivíduos que referiram consumir feijão diariamente, esses percentuais são baixos; assim como o consumo recomendado de 3 porções de frutas e 3 porções de hortali­ças por dia, que foi referido por menos de 15% da população em todos os anos, com queda de 5 para 3% para as hortaliças. O refrigerante não diet foi o item com maior aumento no consumo, passando de 60 para 67%. Os itens avaliados apresentaram fraca correlação e não configuram um constructo único de alimentação saudável.
Os autores concluiram que a qualidade da dieta dos brasileiros tem piorado e é necessária melhor qualifi­cação dos marcadores alimentares consi­derados de risco para doenças crônicas não-transmissíveis.
Rev Bras Epidemiol2011; 14(1) Supl.: 44-52

Beber suco engorda?

Publicado na Public Health Nutrition um estudo em crianças da quarta série sobre a influencia do consumo de água e bebidas açúcaradas e alterações no IMC (índice de massa corporal).
O objetivo do trabalho foi avaliar se a água potável per se é associado com beber menos de outras bebidas e se as alterações no IMC estão associados com a ingestão de água e outras bebidas.
O trabalho foi realizado em escolas públicas da região metropolitana do Rio de Janeiro, Brasil. Os participantes foram 1134 estudantes com idades entre 10-11 anos.
A freqüência basal de consumo de água foi negativamente associado com a mudança de peso acima de 1 ano, mas sem significância estatística (coeficiente = -0 · 08 kg/m2; IC 95% -0 · 37 anos, 0,24 kg/m2) , enquanto o consumo de suco de fruta foi positivamente associado com a mudança de peso: a cada aumento da ingestão de suco de fruta de 1 copo / d foi associada a um aumento do IMC de 0,16 (IC 95% 0,02, 0,30) kg/m2.
Os resultados não suportam um efeito protetor do consumo de água no IMC, mas confirmam o consumo de sucos como um fator de risco para ganho de IMC.


(Public Health Nutrition, maio 2012)

O que comemos quando estamos fora de casa?

A professora Roseli Sichieri do Departamento de Epidemiologia da UERJ publicou no mês passado no British Journal of Nutrition uma pesquisa sobre a contribuição dos alimentos consumidos fora de casa para o consumo de energia durante o dia.
O objetivo do estudo foi estimar a contribuição da dieta de fora de casa no consumo total de alimentos e investigar a associação entre comer fora de casa e consumo total de energia em áreas urbanas brasileiras. Na primeira pesquisa nacional de alimentação, realizado em 2008-9, registros alimentares foram coletadas de 25.753 indivíduos com 10 anos ou mais, residentes em áreas urbanas do Brasil. Os alimentos foram agrupados em trinta e três grupos de alimentos, e o consumo médio de energia fornecida com comida fora-de-casa foi estimada.
Do total da população, 43% consumiram pelo menos um item alimentar fora de casa. O consumo médio de dos alimentos consumidos fora de casa era 337 kcal, com média de 18% do consumo energético total.
Comer fora de casa foi associada com aumento da ingestão calórica total, exceto para os homens no nível de renda mais alta. O maior percentual de alimentos consumidos fora-de-casa foi de alimentos com alto teor de energia, tais como bebidas alcoólicas (59%), salgadinhos assados ​​e fritos (54%), pizza (42%), refrigerantes ( 40%), sanduíches (40%), e doces e sobremesas (30%).
O consumo de alimentos fora de casa foi relacionado a um maior consumo de energia.
Br J Nutr. 2012 Jul 31:1-8. [Epub ahead of print]

quarta-feira, 8 de agosto de 2012

Manutenção do peso perdido 2

A Sociedade Americana de Dietética se posiciona sobre as orientações e dietas para manutenção do peso (J Am Diet Assoc. 2009;109:330-346).

O que temos de evidência:

Composição da dieta
Deverá ser rica em carboidrato? Pobre em gordura?
O que a literatura explica:
O consumo de 3-4 porções de alimentos lácteos com baixo teor de gordura por dia deve ser recomendado no programa alimentar para gerenciamento do peso.
Alguns profissionais sugerem: alimentos com baixo índice glicêmico e alimentos com baixo teor de gordura podem ser incorporados no plano alimentar, mas não são essenciais para controle de peso. A dieta do baixo índice glicêmico não é recomendado para perda de peso ou manutenção do peso, uma vez que não tem sido demonstrado ser eficaz
Controle da porção
Cada dia estamos mais expostos a maiores porções (pipoca, refirgerante e etc...).
Fornecer informações sobre o conteúdo energético de alimentos de consumo regular (ex: taça de sorvete, bolo), o uso de alimentos com pequenas porções (por exemplo, pratos congelados, pacotes de salgadinhos com 100 kcal), reduzir a densidade energética dos alimentos (ex;entrada com salada) e substituição de alimentos de maior densidade energética por de menor densidade (por exemplo, lanche da noite -cereais com leite) são boas estratégias.  
O controle das porções realmente deve ser incluído como parte do programa de controle do peso.
Sobre os substitutos de refeição “Shakes”
Exemplos: refeições líquidas, barras de proteína, ou de refeições pré preparadas com calorias controladas
Para as pessoas que têm dificuldade na seleção do alimento/ ou o controle do tamanho da porção, os substitutos de refeições podem ser usados como parte da estratégia de um amplo programa de controle de peso.
Deverá substituir uma ou duas refeições diárias com os substitutos de refeições que poderá promover uma perda de peso/ manutenção bem sucedida
Dietas de muito baixo valor calórico
As dietas de muito baixo teor calórico, definida como 800 kcal ou 6 a 10 kcal / kg ou menos, os resulta em perda de peso significativa. Porém sem a manutenção a longo prazo, as taxas de reganho de peso são maiores.

Manutenção do peso perdido 1

A Sociedade Americana de Dietética se posiciona sobre as orientações e dietas para manutenção do peso(J Am Diet Assoc. 2009;109:330-346). O que temos de evidência:

Exercício
Quais são as verdadeiras recomendações? Caminhar 3 vezes por semana bastam?
As recomendações são variadas para cada situação clínica;
1)      para reduzir o risco de doenças crônicas na idade adulta deve-se realizar 30 minutos de atividade física de intensidade moderada na maioria dos dias da semana
2)      para ajudar a controlar o peso corporal e evitar o ganho de peso na idade adulta, 60 minutos de atividade moderada a vigorosa, na maioria dos dias da semana.
3)      para evitar a recuperação do peso após perda de peso, participar de 60 a 90 minutos de atividade de intensidade moderada física diária
É importante saber que exercício de 30 minutos 5 dias por semana leva a queima de 1.000 kcal por semana. Vale considerar que facilmente conseguimos restringir 1000 kcal da alimentação habitual. Por tanto conseguir fazer atividade física não é “desculpa” para não perder peso!

Frequência de consumo alimentar
Será que devemos comer de 3 em 3 horas mesmo?
Três estudos transversais mostram uma associação pular o desjejum e um aumento da prevalência ou risco de obesidade.
A ingestão calórica total deve ser distribuída ao longo do dia, com o consumo de quatro a cinco refeições / lanches por dia, incluindo café da manhã. Consumo de maior consumo de energia durante o dia pode ser preferível ao consumo de noite.


Obesidade: Tratamento comportamental

Terapia comportamental no manejo da obeso
Os 9 passos:
1. Estabelecimento de metas claras
2. Orientação de como mudar hábitos
3. Foco em mudanças pequenas, em vez de grandes mudanças
4. Auto-monitorização
5. Controle de estímulos
6. Comer mais devagar
7. A educação nutricional é um componente essencial
8. O aumento da atividade física
9. Modificação comportamental é mais sustentável a longo prazo, na presença de apoio social/ psicológico/ clínico e social.

Adesão ao tratamento

O que significa ter adesão ao tratamento nutricional?
Eu estou seguindo as recomendações terapêuticas?
Eu compreendendo o meu diagnóstico?
Eu colaboro na avaliação e na formulação do plano alimentar?
Eu contribuo no planejamento de metas?
Eu comprometo-me com a mudança?
Eu avalio os resultados?
Eu consigo manter os ganhos?
O abandono precoce do tratamento nutricional é inaceitavelmente comum na rotina clínica.